O dia em que resolvi ler Rupi Kaur

Pode me chamar de chata, mas eu tenho uma certa aversão aos mini poemas de instagram. Alguém lembra daquela época que tinha um cara que escrevia no guardanapo? Enfim, todo dia eu via alguém compartilhando algum poema da Rupi Kaur ou foto do livro “Milk and Honey” (Outros jeitos de usar a boca, traduzido para o Português no Brasil). Todo dia. Alguns chamaram minha atenção e eu resolvi dar uma chance.

Sempre escolhi com afinco os livros de poesia que peguei pra ler, não foram muitos mas foram bons. Neruda, Poe, Baudelaire, Wilde… Rimas estruturadas, ritmo, métrica…tudo elaborado com perfeição para fazer o leitor refletir sobre o conteúdo da obra.

Quando comecei a ler “Milk and Honey” minha primeira sensação foi incômodo. Os versos são completamente soltos, sem rima, sem estrutura e com quebras aleatórias de linha e página. Algumas páginas ilustradas, outras não. Tudo direto ao ponto. Uso excessivo de anáforas. Me peguei pensando: qual é o propósito desse livro? Será que eu estou exigente demais? Será que estou me prendendo demais ao padrão?

Uma vez li que a poesia precisava ser acessível, que a literatura em si não deveria ser tão elitista. Definitivamente é o que essa leitura é: acessível. Os textos não apresentam nenhum desafio, o conteúdo é forte e a linguagem é simplista para facilitar a compreensão. Você imediatamente cria um vínculo com o texto e compartilha das experiências da autora como se fossem suas.

Particularmente, eu gosto de poesia como gosto do meu café: forte e escuro. Gosto de refletir, descobrir nuances e me prender com o jogo de palavras. Nunca imaginei que terminaria um livro de poesias em menos de uma hora. Numa leitura tão fluida. Confesso que continuo não muito atraída por esse tipo de conteúdo tão digerido, mas passei a encará-lo com outro olhar.