Um desabafo sobre amizades sinceras

Um constante incômodo que sempre tive na vida é a volubilidade das amizades que fazemos. No meu caso, nunca passei muito mais do que 2 ou 3 anos no mesmo lugar, então digamos que foi um fator agravante na situação. Por mais que haja um esforço para manter a relação de amizade, às vezes ele não é mútuo. Às vezes não sobrevive a distância ou a ausência diária – as justificativas são infinitas.

Por isso sempre acreditei na máxima de ter amigos de qualidade e não em quantidade. Há quem discorde e realmente goste de ter um círculo social enorme ou participar de vários círculos diferentes – acontece. Não cabe a mim analisar as amizades alheias, afinal cada um é responsável pelas escolhas que faz e está tudo bem.

Não sou e nunca fui uma pessoa de manter contato diário (juro que tento melhorar mas é complicado, não desistam de mim ainda). Mas tento sempre expressar aos amigos e amigas que tô ali pro que der e vier. Ouvir, aconselhar, respeitar. Estar presente dentro do possível e das limitações cotidianas.

Longe de mim querer bancar a voz da razão e sensibilidade na internet, mas depois de algumas vivências nos últimos tempos eu resolvi criar uns pontos de reflexão e compartilhar com vocês porque fiquei realmente incomodada. Por mais conversas atenciosas e verdadeiras. Por mais presença. Por mais transparência.

 

Não mantenha conversas superficiais por educação

 

Não há nada pior do que convenções sociais – aqueles malditos costumes que reproduzimos porque se tornou algo inerente à sociedade. Sério, se tem uma coisa que eu detesto são aquelas conversas no melhor estilo elevador. Não faça uma pergunta a qual você não tem interesse em ouvir a resposta. SIMPLES ASSIM. Uma das perguntas que mais me irrita no dia-a-dia é a famigerada “tudo bem?” – 99% das pessoas perguntam sem o menor interesse em ouvir uma resposta sincera. E o problema não segue só no lado de quem pergunta – muitas vezes acabamos mentindo e internalizando respostas porque temos medo de compartilhar, de incomodar ou de atrapalhar o outro. Se você que está me lendo quiser conversar comigo, pode vir. Sem medo de ser feliz, não precisa ter receio não.

 

Pratique a empatia

 

Não é fácil. E eu ainda tenho que evoluir muito nesse quesito aí. Mas é um exercício diário. Escute com atenção. Se você não tem algo positivo para acrescentar, apenas reconheça a situação e tente confortar dentro do possível. Se coloque no lugar do outro e tente entender. Nós reproduzimos muitas coisas ruins sem nem ao menos pensar. Retomar a consciência do impacto das suas ações é um grande começo.

 

Grosseria ou sinceridade?

 

Um ponto muito delicado. Estamos tão acostumados a mentir para não machucar que, por vezes, esquecemos a linha tênue entre grosseria e sinceridade. Se você não está confortável com uma situação, fale. Se você não quer ir a algum lugar ou fazer alguma coisa que não concorda, fale. Agora, se você quiser falar algo que não só não lhe diz respeito como o outro não terá nenhum poder de mudança sobre aquilo: guarde pra você, provavelmente você não só estará sendo grosso como também muito inconveniente.

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